Quando a tristeza ataca e a beleza da perseverança

Às vezes a tristeza ataca. Aparece assim, de mansinho, lágrima seca e contida – para, só então, quando nos sentimos confortáveis em sua presença, revelar a verdadeira face que possui: a depressão. Acontece quando o vento acaricia as folhas sob influência de brisa invernal, acontece quando estamos longe de quem amamos; acontece à noite, de manhã e ao meio-dia. Acontece durante longa e sórdida solidão, ou mesmo entre amigos queridos; acontece sob o véu da melancolia e da mórbida angústia. Acontece quando menos esperamos, e acontece também quando é previsto.

É preciso ser forte e persistir. Não; deixar-se abater-se, deitando-se em uma cama macia e fingindo se afastar de todos os problemas – isso é se levar por sua massiva negritude. Minha mãe sempre me costuma dizer:

Nunca há nada como um dia após o outro.

E há tanto, mesmo que intrínseco, nessas palavras… Um dia após ao outro, labuta após labuta, um sorriso que vai crescendo ao longo das horas e das semanas e dos meses, até que estamos bem novamente. Não, realmente o segredo para todas as dores é a vida, é o tempo.

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Fonte da imagem: Tumblr

Quando tenho minhas recaídas e penso que estou morta em vida, ou seja, quando voltam meus medos, meus maiores temores e fantasmas deformados pelo ódio que contém sobre mim – tudo o que quero são palavras de conforto, carícias, beijos (fraternos, maternos ou de meu amante). Tudo o que quero é saber que eu existo nesse mundo. Só existimos, realmente, quando somos importantes para alguém – e também para nós mesmos. Mas, sem ninguém, como amar a si mesmo? E, sem a si, como ser amado? Como lidar com a solidão quando ela nos ergue sua espada, nos estacando o coração?

Perseverando. A resposta é essa. Dói, machuca; não queremos seguir em frente. Queremos deitar na cama macia – se tivermos uma. Porém, a rotina há de nos salvar, almas machucadas, feridas e semivivas. A rotina – o café-da-manhã, a faculdade, o trabalho, a hora do jantar, de deitar para dormir; os colegas, os amigos, os familiares. Se pudermos abrir uma brecha, uma pequena fresta de confiança em nossos corações, talvez conseguíssemos enxergar que há amor no mundo, e que não estamos sozinhos. Nunca. Nem mesmo que tenhamos apenas um gatinho de estimação.

Devemos, é claro, buscar ajuda psiquiátrica. Ajuda é a palavra de ordem. Precisamos admitir que necessitamos dela. Não podemos nos acovardar, nos esconder atrás de nossas almas temerosas e hesitantes – precisamos perseverar. É nosso dever erguer os escudos contra a espada.

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Fonte da imagem: Google Imagens

Eu costumava me autoflagelar, sentia certo prazer sádico com esse ato – eu deixava a espada perfurar. Então, lenta e subitamente, soube que precisava dessa ajuda. Hoje, sou uma garota melhor, sã, e não mais brinco de Deus com a Morte. Sei os riscos. Não posso me dar ao luxo de perder a dádiva da vida. É preciosa demais para ser desperdiçada. Está em cada gotícula de orvalho pela manhã, em cada piada compartilhada entre amigos, em cada beijo de cada amante que já passou por meu destino. É preciosa.

E assim, em manutenção, mas operacionais, continuamos a contenda da vida.

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