Nossas quatro estações

 

Em breve, fará um ano que não nos vemos. Não exatamente; quero dizer, nos encontramos uma ou duas vezes, apenas nos esbarramos, mas, não nos vimos de verdade. Não dissemos palavras que pesassem no ar em sua leveza doce, não nos tocamos com toda aquela paixão que costumava nos consumir, e também não abrimos nossos corações da forma com que costumávamos fazer uma única vez. Fará um ano que não nos vemos, e eu senti sua falta nesse meio tempo. Senti falta de te amar, em todas as formas em que a palavra pode ser concebida. Senti falta do seu cheiro, da sua voz, da sua pele, da sua mente, do seu eu, da sua existência, de você.

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fonte da imagem: Google Imagens

 

É estranho parar para pensar que tudo acabou. Acabou sem um término definitivo, simplesmente deixamos de existir. Não houve um decreto final, apenas eternas reticências, pendendo no ar em seu aspecto fantasmagoricamente etéreo, assustador, como um pesadelo. Você foi embora, eu permaneci. Demorei muitos meses para poder aceitar, para poder te deixar seguir seu caminho, mas, por fim, eu consegui. Fui forte, forte como você me ensinou a ser. Ensinou-me em única tarde de primavera, e jamais esquecerei essa lição.

Um ano é tempo demais. Tempo demais para corações apaixonados, angustiados, que dependem de reticências para viver, para manterem-se vivos. Meu coração fora destroçado, e não rápida e subitamente, como deveria ter sido, mas aos poucos, perdendo esperança por esperança, até que, aí sim, de repente, percebi que havia tudo terminado. Dilacerou-me, mas sou forte. Porque você me ensinou a ser.

Você foi a razão e a origem de muita poesia. Você foi quem me carregou de lirismo. Você foi quem me fez perder o juízo, quem me impulsionou a tomar atitudes tresloucadas, a transpassar o limite do limite. Eu era pólvora e, você, a chama que me consumia. Ensinou-me a viver – a cair, a me perder, a me amar, por ter sido, em uma única tarde, amada. Amada de verdade – do fundo da alma até a parte mais rasa da pele, dos lábios. Ah, meu amor… Como te amei!

É muito triste e trágico, tudo isso. Mas, afinal, qual fim, apenas por ser um fim, não o é? Raros os finais que são baseados em felicidade! Talvez apenas nos filmes, quando não vemos o que se passa depois do término… Costumávamos nos ver pouco, e muito nesse pouco. Quando nos encontrávamos, entrávamos na alma um do outro, na pele um do outro, e víamos o universo de outra perspectiva. Eu virava a água que você é – instável, voraz, indomável, e, você, virava a terra que eu era: estável, fixa, apaixonadamente entregue. Você me fertilizava. Dava-me vida, ao que antes era apenas aridez.

Não sou mais terra, nem pólvora. Hoje, sou lágrimas. Sou lágrimas e memórias de um passado, um passado aquele que você residia. Um ano é muito tempo, tempo suficiente para eu sofrer essa metamorfose. Perdi-me de você e, consequentemente, do mundo, mas, sem jamais perder-me de mim, porque foi você quem me encontrou.

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fonte da imagem: Tumblr

Nunca, nunca se esqueça de que um dia você foi amado. Amado, e muito, e por ninguém menos do que aquela garota que sempre esteve ali para você, e que provavelmente sempre estará. Por mais que hoje esse meu amor seja apenas fotografia na mente, sempre haverá espaço em meu seio para que você se proteja da chuva e do sol. Serei sua guardiã, sua protetora para quando nenhuma luz houver em seu caminho. Porque, meu amor, nada, nem ninguém nesse mundo jamais será capaz de manchar o que houve entre nós. Um ano pode ser muito tempo, mas não se compara à eternidade que terei de enfrentar, sozinha, e sem você. Mas sou forte, repito, eu sou forte.

Obrigada por tudo.

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