Amor…

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Naquela noite de carnaval, eu estava em uma cidade pequena na Bahia, revendo algumas pessoas por parte de mãe – ótimas pessoas, inclusive! Divertia-me com as lembranças do passado e com as histórias que se formavam no presente. E, em alguns momentos, eu ia até a praça ver as luzes do carnaval, as pessoas se divertindo e ouvir a música alta. Apesar de não me divertir tanto com o carnaval, eu gostava de ver a alegria das pessoas. Em uma dessas idas, avistei a minha frente um casal, não que tivessem poucos, porém, aquele em particular, fez-me questionar a mim mesma: mas, afinal, onde está esse amor que eu tanto escuto falar?

Eles andavam de mãos dadas, rindo e cantando junto com a música, enquanto dançavam e trocavam sussurros. Observei aquele casal e fiquei a perguntar sobre o meu. Minha mãe sempre disse que quando eu deixasse de procurar ele viria, afinal, tudo tem seu próprio tempo – bem, infelizmente, sou escritora, e, por isso, vivo a buscar o amor. Além de que, nas páginas dos meus livros favoritos, o amor é a chave para as belas e trágicas histórias, e eu os leio demais, apesar de acreditar que isso não aconteceria comigo.

Ele deve estar perdido, acredito, assim como eu estou. Deve estar procurando entre os milhares de olhares na multidão, aqueles olhos peculiares que o farão suspirar; deve estar imaginando, como tantos imaginam, como será encontrar enfim esse sentimento que todos falam, mas poucos encontram, realmente. Ou não, e está se divertindo enquanto eu fico presa em minhas palavras. Confesso, porém, que prefiro acreditar no meu primeiro pensamento. 

Imaginei como seria eu estar segurando a mão de alguém que me ama como eu o amaria; o abraçando como eu tanto desejo abraçá-lo; sussurrando as inúmeras palavras que eu tanto desejo escutar; amando-o como eu desejo que ele me ame. Sim, eu desejo alguma coisa assim e, por mais que eu seja jovem, parece-me que o tempo passa rápido demais e que esse amor que eu tanto desejo vai se afastando de mim. E, são nesses instantes, que eu me pergunto se eu realmente mereço esse amor que eu tanto vejo, mas não encontro. 

O casal logo some da minha vista e, nesse instante, vejo-me em frente a uma família, brincando e sorrindo como se aquele carnaval fosse a melhor festa do mundo. Os sorrisos das crianças a minha frente fazem-me aquele sentimento anterior desaparecer pouco a pouco, lembrando-me que o amor é mais do que um casal; não, o amor vai além disso. O amor vem na família, seja ela como for; vem dos seus amigos, quando eles estão ali enfrentando seus piores momentos e os melhores com você; até mesmo naquela música que você tanto escuta e, quando você a escuta, tudo ao seu redor melhora! Sim, isso também é amor.

Voltei da praça e me deparei com a minha família sentada na calçada junto com meus outros tios e primos que eu tão pouco vejo. Os sorrisos e vozes se misturam enquanto vou me aproximando deles. Sentei-me perto deles e revi o casal de minutos atrás, indo para a casa deles entre sorrisos e conversas, mas, diferente daquela vez, eu percebi que sim, eu sou capaz de amar e também sou amada. Eu ainda não encontrei aquele que eu quero encontrar, com quem eu tanto sonho – talvez leve mais algum tempo para achá-lo; mas, sei que nessa jornada eu não estarei sozinha e que tenho meus outros amores para me apoiar.

E, por enquanto, isso era mais do que o suficiente para mim.

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