Carrossel

Ela o conheceu nas suas férias de inverno. Era um rapaz simpático, os olhos castanhos tão vivos quanto seu sorriso bonito; seu cabelo negro combinava com a pele clara e branca; seu rosto era tão bonito e seus gestos eram o de alguém que se importava. Eles conversaram uma tarde no Starbucks, após ele perguntar se ela gostava do cappuccino de lá.

O assunto havia levado à um passeio ao Shopping juntos, ela comentava sobre o quanto gostava dali e ele sorria, dizendo que também gostava. Comentavam sobre a vida de cada um, ela comentava sobre seu curso de geologia e ele sobre o seu curso de engenharia. Falaram dos exs que acabaram de sair da vida de ambos; e, sem perceber, comentavam o que procuravam e sobre o que gostavam.  Apesar dela não querer admitir, aquele belo rapaz a fazia acreditar em um sentimento que ela não acreditava querer sentir.

Após o breve encontro, eles haviam trocado telefone e Facebook. Ele tinha deixado bem claro que queria conhecer mais da “jovem do cappuccino” que tinha um belo olhar. E ela, como uma boba, deu-lhe o que ele pediu e ganhou de volta uma nova mensagem assim que eles se separaram. Não esperava sorrir como uma idiota ao ver aquele rosto surgir no Whatsapp. 

Voltou para casa ainda conversando com ele, perguntando se já havia chegado em casa e se estava tudo bem; até pareciam um casal de namorados. Ela sorria e respondia sem demorar um segundo, estava adorando a conversa com ele e nem mesmo seus pais iriam separar aquele celular dela naquele momento.

A conversa apenas acabara quando havia anoitecido e ele tinha que dormir cedo por causa do trabalho do dia seguinte. A irmã dela suspeitava da conversa com o estranho, mas zombava dela dizendo coisas do tipo: “Você tem namorado!”; e, ela irritada com as provocações, respondia: “Se eu tiver, isso é problema meu! Pelo menos, eu tenho alguém!”. A irmã ria, e ainda zombava sem parar.

No dia seguinte, ela fora para a faculdade normalmente, contará sobre o rapaz para as amigas antes das longas aulas começarem e recebera gritos animados delas. Uma dizia que estava feliz e que ela merecia após o termino; outra, dizia para ela tomar cuidado; e outras, apenas que queriam que isso acontecesse com elas. Mas ela apenas sorria e imaginava como seria encontrar aquele sorriso de novo.

Quando dera 11 horas, ela finalmente se viu com uma nova mensagem dele perguntando como estava o seu dia, ela sorriu e respondeu a mensagem ansiosa. As amigas perguntaram se era o rapaz e a jovem sorria enquanto respondia uma nova outra mensagem, não o faria esperar por uma mensagem dela. Ele mandava mensagens dizendo como estava o dia dele e como ele queria ver o olhar dela mais uma vez. Ela corava com as palavras dele e respondia que queria vê-lo também.

Ela passara o dia de aula falando sobre como sua aula estava chata e o quanto ansiava a saída; e ele dizia que ainda iria estudar após o trabalho. Ela o elogiava dizendo o quanto achava cansativo ter essa jornada dupla, e ele dizia que não se importava, principalmente se ela estivesse ali, conversando com ele. E, por mais uma vez, ela se via entrando naquele mundo de suspiros.

A semana passou assim, trocas de mensagens e algumas ligações feitas por ela, nunca por ele. Sempre trocavam informações sobre o dia de cada um, e o quanto ele gostaria de vê-la, assim como ela gostaria de vê-lo também. Felizmente, ele marcara outro encontro com ela, um cinema ou até mesmo oStarbucks, apenas para poderem se ver. Ela aceitou sem pensar duas vezes.

Ela chegara primeiro no cinema para ter certeza que não o faria esperar. Olhava o relógio ansiosa e observava de um lado a outro esperando por ele. Porém, de repente, algo se passou em sua mente, a ideia de por que ela viver esperando por ele? Por que está fazendo aquilo? Parecia uma idiota esperando por alguém que nem ao menos ela sabia se gostava. Revirou o olhar e disse para si mesma que pararia de fazer aquilo, não podia ficar parecendo uma idiota na frente dele.

Mas, assim que ele surgiu, ela sorriu como uma boba apaixonada e acenou para ele. Assistiram o filme em silêncio, e ela com a respiração ofegante e nervosa olhava-o pelo canto dos olhos e podia ver que ele fazia o mesmo, mas, com a confiança de sempre. Engolia em seco quando encontrava o olhar dele sobre o dela, e sentiu-se mais nervosa quando o viu pousar sua mão sobre a dela. Agradecia por estar no escuro e ele não poder ver seu rosto ficar vermelho. Ela sorriu tímida ao sentir o leve carinho em seu braço e tentou corresponder, acariciando o braço que agora estava sobre os seus ombros.

Terminada a sessão, eles foram até a cafeteria que ela chamava deles e pediram a mesma coisa que eles pediram quando se conheceram. Ela não queria olhá-lo nos olhos após os toques no cinema, sentia-se envergonhada demais para isso. Pegaram a bebida e ele logo começou a falar de como o filme fora fantástico, e ela concordava pensando em como ele a fazia se sentir bem, sempre a elogiando, dizendo que sentia saudades e como a achava bonita. Droga, ela não podia estar pensando nele daquele jeito, não podia se perder por ele.

Ele sorriu ao perceber que ela estava presa em seus pensamentos, chamou-a carinhosamente e quando ela o observou, ele aproximou-se dela e, sentindo a respiração pesada dela, ele selou seus lábios nos dela. Ela não negou e o recebeu alegremente, aceitando de bom grado aquele rapaz. Separaram-se quando perderam o ar, ele a observava com certa malícia, enquanto ela o observava apaixonada e perdida nos olhos castanhos dele. Apaixonada? Ela pensava mesmo nisso? É claro que não! Mas, assim que o viu sorrir para ela, a verdade finalmente bateu-lhe a porta: ela estava apaixonada por ele.

Após o passeio, a relação evolui do modo mais estranho que ela viu, ansiava por vé-lo a todo o momento, procurava-o pelo Facebook e pelo Whatsapp; esperava-o na saída da faculdade, imaginando que ele esperaria por ela algum dia; esperava por uma ligação, por qualquer coisa! Mas ele não respondia, pelo menos, não até um certo horário, o qual ela chamava de “hora dos sinos”. Nessa hora, ele era tudo aquilo que ela esperava que ele fosse.

As palavras doces não sumiram, ele continuava a enchê-la de carinhos, ainda dizia o quão linda ela era e como sentia saudades. E ela, suspirava e dizia que encontrara a música perfeita para eles e que ela sempre se lembraria dele, e ele dizia, sorridente, que a ouviria quando sentisse falta dela. Ela se encontrava cada vez mais apaixonada por ele.

Ela o chamava aos finais de semana, mas ele sempre dizia que tinha problemas de família para resolver e que a recompensaria com um belo passeio na sexta ou outro dia; e ela, como uma boba apaixonada, aceitava e o esperava. E, quando finalmente se viam, ele parecia olhar sempre o relógio, e, depois, declarar seu amor por ela enquanto dizia ouvir a música deles em sua mente. Ela não percebia, apenas sorria e o beijava, apaixonada.

“Você é uma boba!” Ouvia sua amiga dizer, principalmente depois de perceber que ele demorava para responder, mas ela ignorava e voltava a procurá-lo, mensagem ou telefonemas, ela o buscava como uma viciada procurava drogas. E, para todos, ele parecia bastante disposto a ignorá-la enquanto podia, tanto que, ele não a procurava nos mesmos horários, às vezes, nem mesmo a ligava. Mas ela ignorava, e mandava mensagens dizendo que o amava e sentia saudades, enquanto ouvia a música especial.

Ele a respondera após três dias, dizia que o celular tivera problemas e que não podia ver as mensagens. Ela suspirava e dizia que tudo bem, pois sabia que ele a amava, ele ria e concordava, e desligava em seguida. Passaram algumas semanas assim, ela o procurando, e ele, esquivando-se e dizendo que sua vida andava complicada. Até que, finalmente, ele sumira de vez, deixando apenas uma mensagem que viajaria e não sabia quando voltaria. Ela disse que o esperaria, e que ele podia contar com ela.

Um mês passara, e uma das amigas disse que aquilo era ridículo, que ele não voltaria e que ele não valia nada, mas ela tinha certeza de que ele era o amor da sua vida. Logo, outro mês passara e, apesar das inúmeras mensagens que ela enviava, ele não respondia e quando ela fazia login no Facebook, ele rapidamente saia, como se estivesse fugindo dela. Mas, ainda assim, ela estava disposta a correr atrás dele.

Finalmente, após esses dois meses, ele finalmente voltou, logo ligando para ela e dizendo o quanto sentia saudades e que estava louco para vê-la novamente. Ela se pôs a sorrir e concordou em sair com ele logo que possível, queria provar a todos que ele era tudo aquilo que ela dizia: o homem dos seus sonhos. As mensagens carinhosas voltaram, assim como as ligações enquanto a música deles tocava no fundo.

Ela se viu presa a ele novamente.

Quando se encontraram, ele não parava de beijá-la e dizer o quanto sentia saudade, a chamava carinhosamente enquanto dizia coisas românticas. Ela se mergulhava nas palavras e nos olhares que ele dava, queria tê-lo ali para sempre, e queria aproveitar após essas longas semanas sem vê-lo, e ele parecia disposto a tê-la também. E a prova disso foi quando recebeu o convite para ir à casa dele.

As amigas disseram que aquilo era um grande passo, mas ainda achavam cedo demais para isso, mas ela ignorou e foi com todo o seu amor. E, ao chegar lá, viu que ele estava disposto a demonstrar todo o seu amor. Ela ficou hesitante, mas entregou-lhe o que tinha de mais valioso: sua alma. Deixou-o tomar seu corpo com todo o seu desejo, deixou-o torná-la dele e quando finalmente chegaram ao ápice, ela teve a certeza de ser dele e de mais ninguém.

Ela andava mais feliz do que nunca, sentia-se completa após o amor que tiveram, não deixava de mandar mensagens a ele dizendo que ansiava para tê-lo mais uma vez, e ele respondia que também ansiava, e que agarrava-se no canto que ela deitara para sentir o seu perfume. Suspiros altos eram ouvidos quando ele dizia palavras assim. Ela esperava poder vê-lo, mas ele nunca marcava, e ela, quando dizia, tinha a ideia ignorada.

Encontraram-se mais uma vez no teatro para ver alguma peça que ele pediu para que ela o acompanhasse. Ela passou o espetáculo vidrada no palco e abraçada ao braço dele, sem perceber os olhares curiosos dele sobre a platéia. E, quando terminara, ele a dispensara e pagara um táxi para ela, indo para uma direção oposta a de que eles tinham ido. Ela nada disse, apenas mandou uma mensagem dizendo que o amava.

E, novamente, ele sumiu e não se deu ao luxo de dizer onde estava. Ela nada disse, apenas aceitava a distância, se perguntando para onde ele havia ido?

Após dois meses, ela viu a atualização dele no Facebook dizendo que ele, o amor de sua vida, havia começado um relacionamento. Ela observara por vários segundos a tela do computador ainda não acreditando no que estava lendo ali, não conseguia acreditar no que lia ali. Foi quando, finalmente, deixou-se chorar em pura melancolia após ver que ele chamava outra de amor. Trancou-se no quarto e afogou-se em mágoas.

Nunca imaginara ficar daquela maneira de novo, sentia-se vazia, como se tivessem roubado a alma de seu corpo. Traída. Abandonada. Solitária. Estúpida. Pensava inúmeras vezes, enquanto lembrava-se das vezes que o procurara e dissera que o amara. Como tinha sido idiota, achando que ele correspondia aquilo. Devia ter imaginado que ele queria apenas diversão, mas seu coração, inocentemente, não conseguira ver a verdade no momento certo.

As lágrimas eram inúteis para demonstrar a melancolia que sentia, seu coração doía mais do que imagina e, toda vez que imaginava sair de casa e fazer algo, via-se presa a imagem dele andando ao seu lado. Não devia ter aceitado conversar com ele, não devia ter trocado mensagem com ele, não devia ter saído de casa naquele dia! Se não fosse tudo isso, poderia estar ótima agora.

Infelizmente, não poda ficar ali para sempre, e quando saia para ir à faculdade, vinha em mente a voz dele a chamando e a imagem dele a sua frente. Maldito homem! Quando contara as amigas, elas se mostraram bastante compreensivas, apesar de algumas terem dito que haviam avisado, e marcaram de sair no final de semana ir ao cinema. Ela concordou e pensou em quão bom seria sair de casa.

Porém, até lá, ela se viu em uma depressão profunda, começara a querer beber, imaginando que isso a faria esquecê-lo, mas sabia que isso seria impossível, porque, assim que ia dormir, seu rosto era a primeira coisa que via. E nem mesmo com as amigas, ela conseguia se ver livre dele, ansiava em vê-lo, e o procurava toda vez que saia de casa, querendo ver um sorriso ou um olhar.

Chegou a pensar que tudo aquilo era mentira, que ele largaria a mulher que ele amava agora e que voltaria para ela. Era óbvio! Ele a amava, ele tinha dito isso a ela. Sorria com a ideia dele voltando, eles se amavam, era amor verdadeiro, pertenciam um ao outro, isso era fato! Não importava quanto tempo ficaria na escuridão, ele viria resgatá-la.

Foi quando um dia, passeando com as amigas, o viu com uma bela mulher ao seu lado, e, mesmo olhando-a nos olhos, ele a ignorou o continuou a andar com a mulher. Ela podia sentir as lágrimas caindo e seu coração apertando, apesar de querer impedir, ela sabia que essas mágoas voltariam. Sentiu-se cair na depressão mais uma vez, principalmente quando percebeu que não conseguiria fugir dele. Mesmo que quisesse.

Ela passara alguns meses sem vê-lo, e apesar de ainda sentir falta dele, ela começara a se ver longe das tristezas que foram os primeiros dias. Começara a dar maior importância ao seus estudos e estava disposta a começar a trabalhar, o mais importante para ela era ocupar sua mente com qualquer coisa. Saia com suas amigas sempre que podia e até havia conhecido alguns rapazes.

Mas quando se via sozinha em seu quarto, as mágoas retornavam e ela voltava a vê-lo em seus sonhos. Não importava o quanto queria esquecê-lo, mas era ele que sua mente e seu corpo desejavam. Tentava esquecer tudo relacionado a ele, e pensava estar conseguindo, mas vivia a procurá-lo. Talvez para matar a saudade ou para mostrar que estava bem, não sabia, mas o procurava.

Porém, apesar de imaginar que ele estava feliz, ele a procurara alguns meses depois pedindo desculpas, explicando que aquilo fora um momento de fraqueza e que ele sentia saudades dela. Ela não acreditara quando o vira na porta da sua casa, pedindo por perdão, um perdão dela. O que poderia dizer? Sabia que ele ainda estava com a mulher! Podia ouvir as vozes de suas amigas dizendo para sair dali, correr para bem longe dele. E, por um momento, ela quis fazer aquilo rapidamente.

E, então, ele a olhara nos olhos, um olhar audacioso e carinhoso, um olhar que ele havia dado no primeiro encontro que tiveram, o mesmo que a fizera se apaixonar por ele. Foi então que percebeu a verdade, não importava quantas vezes ele sumisse de sua vida, por quanto tempo ele sumiria, no final das contas, ela o aceitaria. Porque ela estava presa naquele carrossel que era a vida deles, e ela estava presa ali como um cavalo dando infinitas voltas. Assim, ela o deixou entrar em sua vida, mais uma vez.

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