Monólogo Insubstancial

 

e eu retornei, agora mesmo, às 20:10 do dia 15 de novembro de 2016, para meu isolamento insubstancial. Essas paredes que eu crio, que eu invento; esses muros que eu uso como invólucro da alma – isso sim é perturbador, eu penso. Tudo poderia ser mais fácil se meus neurônios funcionassem corretamente, sem necessitar de todos esses ansiolíticos e antidepressivos. Se eu fosse normal, eu penso, se eu fosse normal, talvez a vida fosse, ao menos, satisfatória, e não toda essa montanha-russa de emoções sem nexo, totalmente instáveis.

Sabe, eu costumava me deleitar nessa sensação do infinito espiralado, amava os altos e baixos, me banhava nas dores, embebia-me dos amores, mas com o tempo, com o meu perceber desse padrão, eu apenas me tornei mais seca, mais amargurada, e a montanha-russa não me afeta como antes. Talvez o brinquedo tenha quebrado e só me encontre em descida constante, para falar a verdade.

O que eu queria que você entendesse, ou que eu mesma entendesse, pois ao lhe narrar esses sentimentos eu também venho a me autoconhecer, bem, é que eu não estou só. Muita gente se sente dessa forma, porém não são todos que têm a coragem de expor a alma dessa forma. Afinal, quem gosta de exibir uma ferida purulenta? Não é de todo muito inspirador. Ora, e a ciência está evoluindo, então espero que, se seu sobreviver à toda essa tristeza, daqui a vinte, trinta anos, quem sabe eu não já me encontro normal, completamente funcional e saudável?

Contudo, talvez eu não queira ser normal. Qual a graça em ser cinza, quando podemos ser um arco-íris multicores? Bem, talvez não tão colorido – talvez um arco-íris que vai do negro ao branco, apenas, mas ainda assim, os matizes são tão interessantes e diferentes, feitos em nanquim e grafite, que não gostaria de me desfazer deles. Há certa graça na melancolia, certa delicadeza. E, na vivacidade dos impulsos, há tanto vermelho… Por que eu me desfaria disso?

Porque eu me mataria se não me tratasse, a resposta é óbvia. Apesar de todos os meus receios de que talvez o inferno exista, ou o purgatório, eu provavelmente ceifaria meus dias – viver é demasiadamente árduo para mim quando não estou medicada. Isso não significa que um dia possa viver plenamente sem os remédios – será que esse momento irá chegar? Eu preciso de uma bengala por enquanto. Algo que me dê espaço para respirar. Mas por quanto tempo é preciso tomar o fôlego para que se volte a respirar normalmente?

Eu anseio, e anseio muito, pelo momento em que não me sinta mais tão solitária. Eu sei que não estou sozinha. Tenho família, amigos, e um amor que, embora não me deseje como eu faço, também me tem grande afeto. Todos estão aqui para me ajudar e, além do mais, eu já perdi um amigo para o suicídio. Porém, é uma ideia que ainda me cerca, mesmo com a possibilidade já citada do inferno. Não sei como retirá-la de minha mente. Gostaria de poder fazer isso. Não saber que existe a chance de tirar a própria vida.

Seria um mundo mais belo e duradouro para muitos, se o primeiro suicida jamais houvesse existido, não?

 

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